3 componentes estratégico na logística do agronegócio

3 componentes estratégico na logística do agronegócio

O segmento do agronegócio é um dos mais robustos no País. Fazem parte dele empresas agrícolas, pecuária, fabricantes de defensivos agrícolas (como fertilizantes e herbicidas), desenvolvedoras de sementes para plantio, fabricantes de máquinas e equipamentos rurais e frigoríficos, entre outros.

Do inglês agrobusiness, esse setor compreende as atividades econômicas ligadas à agropecuária, ao manejo de florestas para comércio e serviços (silvicultura) e ao extrativismo vegetal. O termo surgiu na década de 1950, tornando-se popular nos anos de 1970, com a Revolução Verde, período de intensas transformações no mundo após a Segunda Guerra Mundial, o que inclui melhorar a produção agrícola e aumentar a produção de alimentos.

Em agosto de 2020, a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) lançou o e-book Visão do Agronegócio Brasileiro e Estudos Econômicos, contextualizando os dados mais amplos sobre o País e sobre a relevância internacional do Brasil no setor.

O valor bruto da produção agropecuária brasileira em 2020 foi estimado em R$ 697 bilhões. Em 2019, o PIB do agronegócio brasileiro ficou em R$ 1.552.995 milhões.

O Brasil está entre os três maiores produtores agrícolas do planeta. É o maior produtor mundial de açúcar, café, suco de laranja e carvão vegetal; o segundo maior produtor de sementes oleaginosas e celulose; e o terceiro maior produtor mundial de carnes e frutas.

Características

As condições climáticas e de solo do território brasileiro são propícias ao desenvolvimento da agropecuária. No País também foi implantado um sistema que beneficia o segmento, marcado por três características principais das matérias-primas do agronegócio:

  1. Sazonalidade: período em que cada cultura está mais bem adaptada para se desenvolver em uma determinada região, o que permite uma menor exigência de insumos;
  2. Perecibilidade: via de regra, os produtos agrícolas são perecíveis, principalmente quando se fala em frutas e verduras; e
  3. Heterogeneidade: há grande diversidade de produtos e insumos que são plantados e produzidos pelo agronegócio, a exemplo de frutas, hortaliças, algodão, borracha, carnes, cereais, ovos, flores, açúcar e até madeira.

Além dessas, o agronegócio brasileiro é também conhecido pela disponibilidade de área para cultivo; ambiente favorável para o plantio; clima instável, com má distribuição de chuvas e períodos de seca e estiagem; empresas familiares, que passam de pais para filhos; mercado produtor voltado para a exportação da produção interna; complexidade logística e de distribuição, entre outros.

A logística, como um todo, em qualquer que seja o segmento, tem entre seus desafios a gestão de custos. O cenário ideal é conseguir gerenciar a relação entre custo e nível de serviço, e cada vez há mais clientes exigindo melhores níveis, ao passo que também não estão dispostos a pagar mais por isso.

Por conta disso, cabe à logística a responsabilidade de agregar valor ao produto por meio do serviço por ela oferecido. Entre essas exigências por serviço, estão: redução do prazo de entrega, maior disponibilidade de produtos, entrega com hora determinada, maior cumprimento dos prazos de entrega e maior facilidade de colocação do pedido.

Os processos logísticos também são aplicados ao agronegócio e têm função estratégica. Os gestores que conseguem administrá-los, de maneira correta, tendem a fazer crescer o negócio e torná-lo competitivo.

Não por acaso a necessidade de se investir em formação adequada, em nível de graduação ou pós-graduação, em logística e administração de empresas para que se possa compreender melhor os processos para gerir com melhor eficiência os empreendimentos.

“Sempre que se fala em logística, automaticamente associamos ao transporte de cargas. Há muito tempo essa foi mesmo a realidade, afinal não existem operações logísticas sem transporte, porém não podemos limitá-la a isso. Quando analisamos a logística no contexto do agronegócio temos todos os fluxos de mercadorias em todas as tarefas inerentes ao processo de produção. Além disso, temos as tarefas associadas à distribuição das mercadorias na fase de comercialização, que incluem armazenagem, transporte, modos de distribuição”, explica o técnico em agropecuária e especialista na área, Alberto Delgado.

Ele reitera que a logística no agronegócio consiste em toda a organização básica para que a produção ocorra da melhor maneira, no melhor período e entregue aos clientes sem grandes desperdícios e, claro, com o melhor lucro.

As produções do agronegócio, em sua maioria, são perecíveis ou dependem de condições específicas de cultivo, colheita e transporte. Logo, sem uma apropriada logística, empreendimentos podem perder em produtividade e, consequentemente, ver seus lucros estagnarem.

Componentes integrados

O engenheiro agrônomo, Carlos Medeiros, destaca que a logística no agronegócio pode ser dividida em três componentes que se complementam. Listamos a seguir:

  1. Logística de suprimentos no agronegócio: alguns insumos agrícolas têm um custo de transporte alto, que pode superar até mesmo o preço de aquisição. Cabe ao processo de logística de suprimentos diminuir os custos no transporte desses insumos para a cadeia de produção.
  2. Logística de apoio à produção do agronegócio: com papel bastante importante, busca movimentar apenas quantidades necessárias de insumos, sem sobrecarregar estoques, ao mesmo tempo em que evita a falta desses produtos, que poderia causar perda de negociações. Além disso, também objetiva racionar processos operacionais que envolvem a transferência de materiais e a formação de estoques, garantindo que não ocorram apenas os processos essenciais para manter a produção do agronegócio, evitando custos desnecessários.
  3. Logística de distribuição: os produtos do agronegócio tendem a ser perecíveis, exigindo um tratamento diferenciado depois da colheita. São essenciais cuidados em relação ao transporte, escolha de embalagens adequadas, fazer a armazenagem a temperaturas corretas, controlar a umidade relativa do ar. Também é necessário considerar a sazonalidade, ou seja, devido às condições climáticas, alguns produtos são colhidos somente uma vez a cada ano em certas regiões. Podem apresentar safra em alguns meses, mas não durante o ano todo. Nesses casos, o transporte precisa atender às particularidades desses produtos, evitando que ele perca sua validade, e realizar entregas pontuais.

“Na logística de distribuição ficamos diante de um dos pontos mais sensíveis desse processo, justamente por conta da perecibilidade dos produtos obtidos pelo agronegócio, o que ressalta, sem dúvidas, que a logística é fundamental para esse segmento econômico. Sem ela, as fazendas de gado poderiam ficar sem insumos, por exemplo. É também por esse componente que os mercados serão abastecidos com a produção agropecuária”, destaca Medeiros.

Dificuldades

Levantamento da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária mostrou que 85% dos grãos produzidos no Brasil são transportados por rodovias e, além de buracos, falta de sinalização e trechos de pista simples, faltam também opções para escoar a produção.

O Brasil é interligado por 30 mil quilômetros de ferrovias, praticamente o mesmo tamanho que o País tinha em 1930. Para se ter ideia, nos Estados Unidos, principal concorrente do agro brasileiro, são quase 300 mil quilômetros de linhas férreas, e isso tem um custo. Agricultores brasileiros pagam o dobro do valor para exportar uma tonelada da soja.

“Os gestores têm, hoje, além da necessidade em satisfazer seus clientes, que enfrentar problemas de infraestrutura que são crônicos no País. Além da precariedade das nossas estradas, faltam investimentos nos modais aéreo, ferroviário e marítimo. O que vemos são estradas malconservadas, malha ferroviária insuficiente e malconservada, falta de infraestrutura para intermodalidade, má qualidade dos acessos terrestres aos portos, rios sem infraestrutura para navegação, entre outros”, afirma Delgado.

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